Marinho Chagas (centro) na Copa do Mundo de 1974
Quando pensamos em Copa do Mundo, a mente logo viaja para os gramados da Europa, do México ou do Catar. Mas você sabia que o Rio Grande do Norte tem capítulos guardados a sete chaves na enciclopédia oficial dos mundiais?
Seja revolucionando a forma de jogar futebol ou servindo de palco para os momentos mais bizarros da história recente do esporte, o solo potiguar exala a mística da redonda. Pegue o seu café e venha conferir duas curiosidades históricas fascinantes que conectam o RN ao maior espetáculo da Terra!
1. 1974: O “Diabo Louro” de Natal que peitou o mundo (e o próprio goleiro)
Para abrir nosso baú de memórias, precisamos viajar até a Copa de 1974, na Alemanha Ocidental. Ali, o mundo conheceu um jovem nascido em Natal que mudaria para sempre a posição de lateral-esquerdo: Francisco das Chagas Marinho, o eterno Marinho Chagas.
Conhecido pelo apelido de “Bruxa” ou “Diabo Louro” devido aos seus longos cabelos loiros e irreverência, Marinho tinha uma peculiaridade técnica: era um lateral-esquerdo totalmente destro.
- A Revolução: Em uma época em que defensores apenas guardavam posição, Marinho Chagas avançava feito um ponta, driblava com facilidade e soltava bombas de fora da área. Ele praticamente inventou o conceito moderno de “ala”.
- O Reconhecimento: Mesmo com o Brasil terminando em 4º lugar, Marinho foi eleito o melhor lateral-esquerdo do planeta naquela Copa.

O estopim da discórdia: Nem todo mundo aguentava o estilo ofensivo do potiguar. Na disputa do terceiro lugar contra a Polônia, o craque Grzegorz Lato aproveitou o espaço deixado pelo ataque de Marinho e marcou o gol da vitória polonesa. O clima esquentou tanto que Marinho e o ranzinza goleiro Leão chegaram às vias de fato, trocando sopapos no vestiário logo após o jogo! Uma briga histórica motivada, segundo o próprio Marinho anos mais tarde, por puro ciúme da sua irreverência e sucesso com o público.
2. 2014: O estádio que quase foi em Parnamirim e a “Mordida” que chocou o mundo
Dando um salto de 40 anos no tempo, a Copa do Mundo de 2014 transformou o Rio Grande do Norte em uma subsede oficial do torneio. A Arena das Dunas foi o palco de grandes jogos, mas os bastidores dessa história guardam duas pérolas:
O Projeto “Estrela dos Reis Magos”
Antes de o icônico Machadão ser demolido para dar lugar à Arena das Dunas em Natal, o planejamento original da Copa de 2014 era completamente diferente. Em 2007, o projeto inicial previa a construção de um estádio monumental chamado Estádio Estrela dos Reis Magos, e a localização escolhida para receber a Copa do Mundo era o município metropolitano de Parnamirim! No fim das contas, a engenharia e a logística política mudaram os rumos, mantendo a estrutura na capital, mas Parnamirim por muito pouco não carimbou seu nome no mapa oficial da FIFA.
O dia em que a Arena virou ringue (ou petisqueira)
Se Parnamirim ficou no “quase”, a Arena das Dunas garantiu o momento mais icônico e comentado da Copa de 2014 mundialmente.
No dia 24 de junho de 2014, Itália e Uruguai se enfrentavam em um jogo tenso pela fase de grupos. Foi quando, num lance sem bola dentro da área, o craque uruguaio Luis Suárez simplesmente mordeu o ombro do zagueiro italiano Giorgio Chiellini.
As câmeras flagraram a marca dos dentes, o lance viralizou instantaneamente no planeta inteiro e Suárez acabou suspenso do restante da Copa. Um dos momentos mais bizarros da história do futebol aconteceu bem ali, sob o sol potiguar.
